segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Sobre sedução e obsessão

Depois de mais de um mês conversando com D. praticamente todo os dias, cheguei a duas conclusões sobre a nossa relação. A primeira, é que estamos escravizados a esse jogo de sedução que exercemos um sobre o outro - não é porque eu sou a dominadora que não me deixo seduzir, pelo contrário. E devo admitir que ele faz isso muito bem...

Ele se colocou submisso a mim desde sempre... E, no nosso caso, parece que o sempre é muito tempo... Já conversamos algumas vezes sobre isso, como na primeira vez que eu perguntei a ele se acreditava em destino e ele me disse que sim. Só mesmo alguma coisa que estivesse predestinada - a dar certo ou errado - poderia envolver tantas peças se encaixando... Somos lúdicos, enxergamos a nossa prisão com liberdade. Como eu já disse pra ele, quando estivermos juntos, somo exclusivamente um do outro, mas, separados, cuidamos de quem cuida da gente. Em resposta, ele me presenteou com um delicioso: "Você é sensacional, e não existe!"

Algumas tardes, quando absorta no trabalho, ele me envia flores pelo whatsapp. Me derrete... Nesses momentos, desaparece o homem que me desperta desejos inconfessáveis e surge o menino que eu quero colocar no meu colo. O menino, com cara de assustado, e os olhos marejados de lágrimas, que eu quero acariciar com doçura. Aquele que eu quero desatar os nós que prendem os pulsos e beijar cada marca, e passar as mãos nos cabelos, e sorrir pra ele. Mas ao mesmo tempo, ele tem uma capacidade de me desconcertar, de fazer minha boca secar e de me dar frio na barriga, e confessa, lindamente, quase com inocência, que adora essa sensação. Ele sonha, acordado, os mesmos sonhos que eu, sonhos vermelho-sangue, sonhos que tem cheiro, que tem gosto, que transpiram sensualidade...

Meu submisso. No início, quando eu pronunciava, mesmo que pra mim mesma essas palavras, era como se eu estivesse de fora vendo uma outra mulher, com olhos frios e boca quente, desejando D. Com o tempo, essa imagem foi se desvanecendo e eu fui aceitando que essa mulher era eu, que sempre fui eu e que eu ia acabar me rendendo a essa natureza dominadora. Ele despertou isso, ele se ajoelhou, virtualmente e me disse pra fazer o que quisesse com ele. Ele disse que mesmo sem saber o que eu esperava dele, faria de tudo pra me agradar, e faz. Faz nos pequenos gestos, faz com palavras carinhosas, faz até me dando colo quando eu to meio mal. Nesses momentos, somos amigos, e temos tudo pra sermos grandes amigos. 

Gosto dele em todas as suas nuances. Amo quando ele diz" senhora". Hoje disse "minha domme" pela primeira vez, e me provocou um arrepio dos pés à cabeça. Adoro quando ele fica tímido, como quando eu o provoquei a respeito das "homenagens" feitas a mim e à nossa história de dominação. Mas odeio quando ele me deixa plantada no whatsapp, calado, quando eu sempre o atendo no primeiro chamado (não, não é uma indireta, é uma bem direta mesmo...rsrs). Faz parte do meu temperamento querer tudo do meu jeito e no meu tempo, e eu já admiti que sou irracional quando quero alguma coisa.

Sinto que D. tem muita coisa pra me oferecer. Ele quer se dar inteiro, embora tenha medo. Sei que tenho a confiança dele e isso pra mim é um tesouro, e, portanto, retribuirei a altura todas as suas expectativas... Em uma de nossas conversas, logo no início, eu disse que não era muito boa com cordas. E o bondage é o tesão dele. Mesmo sem ter sido escoteira, tô me empenhando nisso. Passo horas divagando, vendo ele me estender os punhos juntos e, com o olhar baixo e sem emitir nenhuma palavra, me implorar pra amarrá-lo.  A presença dele é tão forte, que às vezes parece que sinto o cheiro dele. E o que reforça essa fantasia é saber que a recíproca é verdadeira, que ele também perde o rumo, que sai do centro, e que, como ele mesmo diz, se assusta com a facilidade que tiro ele do sério. Não existe prazer maior pra um dominador ver o seu submisso entregue assim, sem nunca ter tocado nele.

A segunda conclusão a que cheguei, é a de que estamos realmente obcecados com essa ideia. Não tenho receio, ou vergonha, de confessar a ele o quanto eu quero isso, apesar de todos os meus medos, porque sei, e sinto, o quanto ele quer. Estamos juntos nessa jornada, ele, com muito mais certezas do que eu. Certeza da nossa afinidade, certeza de que vai querer de novo e de novo, e eu, não tenho certeza de nada disso e tenho medo, muito medo. Mas estou disposta a superar um por um, no momento em que ele ajoelhar, baixar os olhos e disser: "Sim, minha domme. Chegou a hora do chicote." ;) 












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